94. Toy Story (1995)

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Woody e Buzz se tornaram amigos só depois de algumas brigas

O que é preciso para revolucionar um segmento da indústria cinematográfica? Dinheiro e tecnologia? Sim, isso também. Mas além disso, é preciso uma boa história, com humor, drama, ação e aventura. Junte tudo isso numa panela chamada Pixar, adicione uma pitada de Disney e deixe o chef John Lasseter misturar calmamente os ingredientes. O resultado é “Toy Story” (1995), a primeira animação dos estúdios Disney/Pixar, que dá vida (e sentimentos) aos brinquedos quando não há nenhum humano por perto.

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Slinky, Rex e Sr. Cabeça de Batata

“Toy Story”, dirigido por John Lasseter, retrata as aventuras dos brinquedos de Andy, um garoto de oito anos que está prestes a se mudar de casa com a mãe e a irmãzinha. O xerife Woody (dublado por Tom Hanks, em inglês), o cofre-porco Porquinho (ou Hamm, originalmente), o boneco Sr. Cabeça de Batata, o tiranossauro de plástico Rex, a boneca de porcelana e pastora de ovelhas Betty e o cachorro com corpo de mola Slinky são os protagonistas do filme. Todos ficam muito preocupados com a antecipação da festa de aniversário de Andy, com medo de serem substituídos por brinquedos mais modernos e tecnológicos.

E é justamente o que acontece: o novo brinquedo de Andy é Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen, em inglês), um patrulheiro espacial, cuja missão é acabar com as tropas do terrível Zurg, que quer acabar com a vida na Terra. Acontece que Buzz não sabe que é apenas um brinquedo e isso desencadeia uma rivalidade nada saudável com Woody, já que, além de tudo, o astronauta é eleito o novo brinquedo favorito de Andy. Quando os dois bonecos se perdem da trupe e acabam parando nas mãos do menino Sid (um sádico que gosta de “torturar” e explodir seus brinquedos), ambos têm a missão de se unir para escapar da enrascada em que se meteram.

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Os brinquedos do Sid dão medo em qualquer um

O roteiro  é assinado por sete pessoas, como o próprio John Lasseter, os diretores Andrew Stanton e Pete Docter (todos da Pixar) e Joss Whedon, o roteirista/diretor de “Os Vingadores” (2012) e criador de “Buffy, A Caça-Vampiros”, série de televisão exibida entre 1997 e 2003. Além de todos os brinquedos criados, seus modos de agir e de falar, é interessante notar que os autores também se preocuparam em construir o caráter e definir os sentimentos de cada personagem. Merecidamente, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, além de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original para “You’ve Got a Friend in Me”, ambos para Randy Newman. Como à época ainda não havia a distribuição do prêmio de Melhor Animação, o diretor Lasseter ganhou um Oscar especial pelo “desenvolvimento e aplicação inspirada de técnicas que tornaram possível o primeiro filme animado por computador em longa-metragem”.

A amizade construída entre os brinquedos ao longo dos anos fica implícita, mas é muito bem utilizada, já que as características de fidelidade e amor entre aqueles que dividem a atenção da criança em brincadeiras cheias de criatividade, ficam ainda mais perceptíveis à medida em que o filme passa. Após todo o incidente com Sid, Woody e Buzz estabelecem uma relação de aceitação e criam fortes laços de amizade e companheirismo, divididos com todo o elenco de bonecos. Isso tudo para não falar das inúmeras referências do roteiro à cenas e filmes clássicos, como a saga Indiana Jones (1981-2008) e “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick.

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Pegou a referência à “O Exorcista” (1973)?

A dublagem original traz Tom Hanks e Tim Allen nos papéis principais. Mas é preciso enaltecer o trabalho magnífico dos dubladores brasileiros, nenhum deles conhecido do grande público, provando que não é preciso recorrer a um ator (ou apresentador) global para que uma animação faça sucesso no Brasil. Alexandre Lippiani (Woody), Guilherme Briggs (Buzz), Antônio Patiño (Sr. Cabeça de Batata), Marco Antônio Costa (Rex), Francisco José (Slinky) e Renato Rosenberg (Porquinho) são fantásticos e deram mais emoção às falas dos personagens do que os dubladores originais da projeção, além de marcar na memória das crianças da época (como eu) as frases “Você é um brinquedo!”, proferida por Woody à Buzz e “Eu sou a Senhora Marocas!” ou “Eu sou uma fraude!”, proferidas por Buzz na icônica cena do chá entre bonecas decepadas de Hannah, irmã de Sid.

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A trilha sonora original é de Randy Newman, compositor das músicas incidentais e também do clássico “You’ve Got a Friend in Me”, traduzido brilhantemente como “Amigo, Estou Aqui”, em uma versão interpretada por Zé da Viola, Aline Cabral, Kika Tristão e Fernanda Capelli. Aliás, outro aspecto da versão exibida no Brasil é a simetria das letras traduzidas com as músicas compostas por Newman, sem desvalorizar, de maneira nenhuma, o recado transmitido originalmente. No fim, “Toy Story” é um filme para crianças, mas que também encanta adultos com sua mensagem simples e belíssima sobre companheirismo e amizade.

Nota: 7/10

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Um comentário sobre “94. Toy Story (1995)

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